O Taquaryense

Fundado em 31-07-1887
Ex-Diretores: Albertino Saraiva, fundador (1887 - 1928)
Mario Saraiva (1928 - 1947)
Leonel Theodorico Alvim (redator)
Nardy Farias Alvim (1947 - 1966); João Carlos Teixeira (1947 - 1985); Pery Saraiva, redator, (1947 - 1990); Harry Britto Dias (1962 - 1995); Helena Santos da Silveira (1964 - 1999); Plínio Saraiva, gerente, (1947 - 1990).

Editor - Plínio Saraiva.
Gerente - José Harry Saraiva Dias
Gráfico - impressor - Jaime Alfeu Kerber
Chefe das Oficinas - João da Rosa Rodigues

Redatores: Davi Saraiva Schäefer, Vasco Pinto de Azevedo Neto, Cronista Social - Danilo Lux

Filiado à ADJORI/ABRAJORI

 

 

115 anos de luta e história a serviço da comunidade

O Taquaryense, fundado em 31 de julho de 1887, por Albertino Saraiva e impresso na oficina gráfica de Tristão de Azevedo Vianna. Sua sete está localizada na Rua Sete de Setembro, na cidade de Taquari - RS, mantendo a sua forma original de confecção e impressão, feita por máquinas rotativas que datam do século passado.

O jornal mais antigo do RS (o primeiro é "A Gazeta de Alegrete"), sempre destacou os principais fatos da vida taquariense, registrando em seus arquivos, fatos nacionais e do exterior dos filhos desta terra, os que aqui permanecem e os ausentes, lutando pelo progresso e o bem-estar deste povo.

Este jornal sempre participou de todas as campanhas em favor desta terra, várias das quais foram de sua iniciativa, como o Ginásio N.S. da Conceição, Escola Cenecista São José e a restauração da Igreja Matriz de São José. Ao longo de sua caminhada este semanário sempre contou com um seleto e devotado grupo de colaboradores, que sempre acreditaram e valorizaram este maravilhoso meio de comunicação centenário.

Cento e quinze anos é um marco significativo, um mundo de coisas novas, um comportamento crescente de compromisso com a vida social, este firmado desde o início por seus criadores.

O jornal como bem cultural tem a propriedade de fixar a vida que passa. Um jornal centenário oferece a comunidade uma oportunidade singular em termos de registros históricos, pois documenta a vida em suas páginas, alegrias, tristezas, emoções e sobretudo relatar com responsabilidade e respeito o fatos ocorridos, objetivo que até hoje transparece em seu trabalho.

"Os últimos românticos", assim foram qualificados os escribas, jornalistas e colaboradores do jornal O Taquaryense, na revista Primeira Impressão, editada pelas turmas de formandos do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Riodos Sinos - Unisinos.

Jornal O Taquaryense - Edição nº 100.

O Taquaryense: 115 anos de história

Plínio Saraiva, diretor do periódico desde 1947, não espanta-se com o interesse dos jovens profissionais. Com grande freqüência recebe visitas de pessoas interessadas em conhecer seu jornal; em ver como funciona o segundo mais antigo órgão de imprensa escrita do Estado. Apoio, pouco, ou nada, trazem, mas garantem a divulgação do trabalho dos descendentes de Albertino Saraiva. Parece que é rotina, no Brasil, os gênios serem atrevidos. Assis Chateaubriand criou uma emissora de televisão, onde ainda não haviam aparelhos receptores. Atrevimento semelhante, porém 63 anos antes, o patriarca da família Saraiva teve em Taquari. Criou, num Estado que tinha apenas um jornal, um espaço para publicações de informações no interiorano município. O nome não poderia ser mais sugestivo: O Taquaryense.

Nos seus 115 anos - fundado em 31 de julho de 1887 - o jornal é o único, no país, que permaneceu todo este tempo sobre o comando da mesma família. Muito disto, deve-se a insistência de Plínio Saraiva. Aposentado como Escrivão da Exatoria Estadual, ingressou no jornal aos 14 anos, tendo que largar, em função dos estudos, mais tarde. Investe, mensalmente uma quantia particular para manter o semanário em funcionamento e, não se fale o contrário, nos mesmos moldes do pai. Diga-se, de passagem, muito semelhante ao primeiro método utilizado pelo criador mundial de impressos, Guttemberg, com letrinhas em metal, montadas uma-a-uma. Embora o trabalho que, aos 99 anos, Seu Plínio, como é chamado, tem, considera um hobby, importante, mas um hobby: "Este jornal é minha vida; é meu hobby".

Em sua longa história, O Taquaryense registrou fatos que marcaram a história do país e do mundo. Em suas páginas podem ser lidas matérias como a Proclamação da República, a Abolição da Escravatura; as guerras de 1914 e 1945; a revolução de 1923; o impeachment de Fernando Collor de Melo e a ascensão de Luís Inácio Lula da Silva. Contudo, Seu Plínio mostra-se descrente no futuro do Brasil. "Não temos mais líderes; os Estados Unidos tomam conta da Amazônia e o Brasil está tornando-se um país de republiquetas", prevê, lembrando e homenageando os presidentes do período militar, com um quadro mostrando Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva e Médici. Quanto à continuação da vida do jornal O Taquaryense, Seu Plínio acredita que Flávia Saraiva Dias, sua filha deva mantê-lo. "Talvez ela não consiga manter assim, como eu, por isso, deverá fazer uma parceria, ou algo neste sentido", destacou, conhecendo a falta de apoio: "Não temos apoio e é melhor assim: Somos um jornal pobre, mas sério", insiste.

O jornal O Taquaryense, que atualmente é impresso na primeira máquina utilizada pelo Correio do Povo, de Porto Alegre, adquirida por 4 Contos de Réis, tem, atualmente, 450 assinaturas, sendo 120 cortesias. Vasco Pinto de Azevedo, David Schäeffer, Danilo Lux, Nubia Costa Saraiva entre outros, são os responsáveis pelas editorias. Plínio Saraiva, embora sua deficiência nas vistas, o confere antes da circulação e acompanha de perto, mantendo mais do que um semanário: uma fonte divulgadora da história. As visitações à oficina do jornal podem ser feitas, mediante agendamento, na rua 7 de Setembro, ao lado da agência da Caixa Econômica Federal.

Márcio Souza