O Taquaryense
Fundado
em 31-07-1887 Editor
- Plínio Saraiva. Redatores: Davi Saraiva Schäefer, Vasco Pinto de Azevedo Neto, Cronista Social - Danilo Lux Filiado à ADJORI/ABRAJORI
O
Taquaryense, fundado em 31 de julho de 1887, por Albertino Saraiva e impresso
na oficina gráfica de Tristão de Azevedo Vianna. Sua sete
está localizada na Rua Sete de Setembro, na cidade de Taquari -
RS, mantendo a sua forma original de confecção e impressão,
feita por máquinas rotativas que datam do século passado. "Os últimos românticos", assim foram qualificados os escribas, jornalistas e colaboradores do jornal O Taquaryense, na revista Primeira Impressão, editada pelas turmas de formandos do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Riodos Sinos - Unisinos. Jornal O Taquaryense - Edição nº 100.
Plínio Saraiva, diretor do periódico desde 1947, não espanta-se com o interesse dos jovens profissionais. Com grande freqüência recebe visitas de pessoas interessadas em conhecer seu jornal; em ver como funciona o segundo mais antigo órgão de imprensa escrita do Estado. Apoio, pouco, ou nada, trazem, mas garantem a divulgação do trabalho dos descendentes de Albertino Saraiva. Parece que é rotina, no Brasil, os gênios serem atrevidos. Assis Chateaubriand criou uma emissora de televisão, onde ainda não haviam aparelhos receptores. Atrevimento semelhante, porém 63 anos antes, o patriarca da família Saraiva teve em Taquari. Criou, num Estado que tinha apenas um jornal, um espaço para publicações de informações no interiorano município. O nome não poderia ser mais sugestivo: O Taquaryense. Nos seus 115 anos - fundado em 31 de julho de 1887 - o jornal é o único, no país, que permaneceu todo este tempo sobre o comando da mesma família. Muito disto, deve-se a insistência de Plínio Saraiva. Aposentado como Escrivão da Exatoria Estadual, ingressou no jornal aos 14 anos, tendo que largar, em função dos estudos, mais tarde. Investe, mensalmente uma quantia particular para manter o semanário em funcionamento e, não se fale o contrário, nos mesmos moldes do pai. Diga-se, de passagem, muito semelhante ao primeiro método utilizado pelo criador mundial de impressos, Guttemberg, com letrinhas em metal, montadas uma-a-uma. Embora o trabalho que, aos 99 anos, Seu Plínio, como é chamado, tem, considera um hobby, importante, mas um hobby: "Este jornal é minha vida; é meu hobby". Em sua longa história, O Taquaryense registrou fatos que marcaram a história do país e do mundo. Em suas páginas podem ser lidas matérias como a Proclamação da República, a Abolição da Escravatura; as guerras de 1914 e 1945; a revolução de 1923; o impeachment de Fernando Collor de Melo e a ascensão de Luís Inácio Lula da Silva. Contudo, Seu Plínio mostra-se descrente no futuro do Brasil. "Não temos mais líderes; os Estados Unidos tomam conta da Amazônia e o Brasil está tornando-se um país de republiquetas", prevê, lembrando e homenageando os presidentes do período militar, com um quadro mostrando Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva e Médici. Quanto à continuação da vida do jornal O Taquaryense, Seu Plínio acredita que Flávia Saraiva Dias, sua filha deva mantê-lo. "Talvez ela não consiga manter assim, como eu, por isso, deverá fazer uma parceria, ou algo neste sentido", destacou, conhecendo a falta de apoio: "Não temos apoio e é melhor assim: Somos um jornal pobre, mas sério", insiste. O jornal O Taquaryense, que atualmente é impresso na primeira máquina utilizada pelo Correio do Povo, de Porto Alegre, adquirida por 4 Contos de Réis, tem, atualmente, 450 assinaturas, sendo 120 cortesias. Vasco Pinto de Azevedo, David Schäeffer, Danilo Lux, Nubia Costa Saraiva entre outros, são os responsáveis pelas editorias. Plínio Saraiva, embora sua deficiência nas vistas, o confere antes da circulação e acompanha de perto, mantendo mais do que um semanário: uma fonte divulgadora da história. As visitações à oficina do jornal podem ser feitas, mediante agendamento, na rua 7 de Setembro, ao lado da agência da Caixa Econômica Federal.
Márcio Souza |